Coluna em dia e Dormir não é assim tão necessário
Depois de quase quatro semanas de tratamento, sinto que minha coluna está como nova, melhor do que estava antes de travar. A verdade é que ela já não andava boa há tempos: começou a piorar logo depois do nascimento da Beatriz. Eu sabia que ia chegar uma hora em que as novenas não iam mais funcionar.
Agora é partir para o contra-ataque. Exercícios de fortalecimento muscular e alongamento. Até aí, fácil. Muito mais fácil do que eu sempre fiz. O desafio é aliar essa necessidade à Dna. Beatriz. Essa angústia da separação não está bolinho… Os dias em que tive ajuda das amigas para me levar ao quiroprata e ficar com a Beatriz foram um pesadelo. Me ver e não me ter… e ainda por cima alguém que ela nunca viu virando a mãe pelo avesso… Bom, fazendo uma longa estória bem curta, nem tomando vacina ela chorava tanto quanto me vendo na clínica. O clube no qual frequentamos a academia tem uma sala de brinquedos com baby sitters, e vou precisar fazer uma longa adaptação da Beatriz para que ela não transforme a vida das meninas um inferno. Ou vou passar o resto dos meus próximos anos na mesa do quiroprata e nas mãos da fisioterapeuta. O que não é nada ruim prá eles…
E ainda sobre a angústia… Há dois dias em que Beatriz não dorme direito. Dorme algumas horas e depois passa a acordar chorando de hora em hora. Começou depois de uma festa que tivemos no condomínio no sábado à noite, e acho que foi demais prá ela (o que já me dá uma idéia do que NÃO fazer para o primeiro aniversário dela). Ou talvez seja algo diferente que coloquei na comida, ou ainda mais dentes nascendo. Ou, ainda, a dor do crescimento.
Ou espinho no berço. Será?
Papo de pai: em se falando de excrementos…
De uns meses pra cá, o cocô da Beatriz passou a assumir uma consistência, digamos, mais firme. Saímos da fase “creme de pistache com avelãs” para a versão “croquete”, o que é uma grande evolução.
Ora, limpar é muito mais fácil, a chance de vazar é quase nula, dá pra arremessar na privada e dar um adeus pela descarga…com a mudança da alimentação, era de se esperar que isso acontecesse, e as coisas ficaram muito mais fáceis.
Vira e mexe eu dou banho na Beatriz e, geralmente, na hora do banho, a fralda está invicta, ou melhor, só com xixi. O famigerado cocô só vem em outras horas. Mas, ontem, a coisa foi diferente:
Eu (abrindo a fralda): Vamu tomá banhu, vamu tomá banhu, vamu…opa…
Selma (da cozinha, via babá eletrônica): Que foi?
Eu: Putz, um cocozaaaaço!
Selma: Sério???
Eu: Sério. E…pãããtz…
Selma: O quê??
Eu: Tá todo molegato…
Selma: Jura? Diarréia??
Eu: Não, não. Só tá meio…esparramado…atropelado…ahn, pastoso…
Selma: Xi, ela deve ter feito, sentado em cima e dado aquela rebolada…
Eu: Pois é…meu…
Selma: Mas tá muito ruim?
Eu: Digamos que…deixa eu ver…lembra quando eu falava que parecia um kafta?
Selma: Sei…
Eu: Então, digamos que hoje passou de kafta pra babaganoush…
Selma: Pãããtz…
Os 10 meses da Filhota
Nos primeiros meses da Beatriz, no meio daquele turbilhão físico, emocional e hormonal, eu ficava imaginando como seria minha vida quando ela tivesse 6 meses, ou 10, ou 1 ano. E ficava imaginando o que ela estaria fazendo. Estaria engatinhando? Andando? Falando mamãe, papai, água, Estee Lauder, claustrofobia? Comeria arroz com feijão, sabonete, o pé da mesa? E o meu imaginário me levava longe, muitas vezes criando uma Beatriz do Futuro baseado no que via e lia.
De tudo o que imaginei, uma coisa que eu tinha CERTEZA era que ela seria um ás no engatinhar aos 8 meses. E que aos 10, ela já estaria tentando os primeiros passos e levando com ela tudo o que tivesse ao seu alcance na sala de estar. Pois os 10 meses chegaram, e ela não parece nem um pouco interessada em engatinhar. Digo interessada porque ela domina todas as técnicas indispensáveis para engatinhar: senta com perfeição, se joga para todos os lado para pegar as coisas, de barriga para baixo volta à posição sentada (eu tentei a proeza, e não consegui. Patz, será que foi isso que encalacrou a minha coluna???), se arrasta, mas na hora do vamos ver… ela faz aquela cara do tipo que perda de tempo e continua no lugarzinho em que está.
Aí eu repito o que eu sempre digo: nada acontece por acaso. Já pensou, eu com esse espigão corrido, e a Beatriz brincando de fliperama pela casa? Ai…
Mas hoje, aos 10 meses, ela faz coisas que eu NUNCA imaginei, ou sei imaginei, eu só estava brincando de imaginar…
- Ela come sabonete, e gosta…
- Ela come iogurte, e NÃO gosta… e aí não come mais…
- Ela já entende o que é NÃO, e obedece. Ontem eu até me assustei com a rapidez que ela tirou a revista da boca quando eu disse não. Na caixa de lenços de papel (que ela descobriu ser divertida porque, além das flores na caixa, ela pode enfiar as mãozinhas dentro e puxar váaaaaaaaaaaaaaarios papeizinhos macios) ela nem encosta mais…
- Ela consegue usar um canudo para tomar líquidos. Realizou a proeza no domingo, dia do mesversário. Mais um motivo para concretizar o ritual da queima das mamadeiras…
Feliz Mesversário, Filhota do coração!
Prá não dizer que não falei das flores
Beatriz começou a bater palminhas! O início foi tímido, trazendo as mãozinhas fechadas uma de encontro à outra. E anteontem ela desembestou a bater palmas! Papai e mamãe corujas batendo palmas juntos, e ela toda pirilampa sabendo que estava fazendo sucesso!
Na hora do filminho, aquela esnobada para a câmera. Não saiu uma mísera palminha. Só a mãe fazendo papel de boba na frente da câmera, e o pai atrás.
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Temos mais um morador na boca da Pequena. Mas, ao contrário da maré, o dente que apareceu foi embaixo. Ela agora tem um tridente. Engraçado!
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E a Filhota ganha seu primeiro diplominha! Terminou na semana passada o curso de iniciação musical – o Music Together. Tá certo que o diploma está cheio de konglishes, mas é só botar as lentes culturais e tudo fica certinho no lugar!
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E, na noite passada, ela dormiu das 9 da noite às 6:30 da manhã. Presentão!
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Quem tem amigos nunca morre pagão.
O meu super-obrigado a Marcela e a Fernanda, amigas fisioterapeutas de plantão, pelas dicas preciosas para desencalacrar o meu espigão a minha coluna. Obrigada de verdade, meninas!
E obrigado a todos que ligaram e escreveram, torcendo pela minha recuperação!
De molho
Há mais de dez anos que eu não travava desta forma. Quem me olha de frente se assusta, porque meu formato está entre um bambu no vendaval e a letra S. Não estou sendo nenhum pouco hiperbólica: estou muito, muito torta.
Comecei um tratamento com um quiroprata aqui perto de casa, e de sobremesa ainda levo várias sessões de reabilitação física. E tudo dói. Dói quando ando, quando sento, quando levanto, quando deito, quando respiro. Não dá prá lavar mais do que dois copos na pia, não dá prá carregar a Beatriz no colo, não dá prá fazer movimentos bruscos. Nada. O problema está crônico, com uma contratura muscular na região lombar e a inflamação do ciático. O quiroprata fez uma avaliação computadorizada do meu caso, e quando vi as fotos e os números, quase caí de costas.
Eu deveria ter dado mais atenção aos sinais que já vinham. Agora é tarde. Preciso de paciência para suportar a dor e esperar que o tratamento comece a surtir efeito.
Tudo o que eu não queria…
… era essa crise do nervo ciático.
Beatriz tem uma mamãe que se parece com um ponto de interrogação que anda mal. Então, não tem jeito: leitinho vai ter gosto de Cataflan e Calminex. Djilícia!
Bichos escrotos, saiam dos esgotos
- Fu-fu-fu, galagalagalaga…
- Filha, tá com o nariz entupido?
- DÁ-DÁ-DÁ-DÁ-DÁ-DÁ-DÁ-DÁ!
- Ok, também com esse tempo seco e esse resfriado, tudo fica entalado, né? Venha aqui, deixa mamãe tirar o nharoco, como diz seu papai…
- AAAAAAHHHHHHHHHHHHH! DÁ-DÁ-DÁ-DÁ-DÁ-DÁ-DÁ-DÁ! AAAAAAHHHHHHHHHHHHH!
- Pára, filha. Mamãe tá te ajudando. Só mais um pouquinho. Olha que legal o cotonete! Ete-ete-ete-cotonete! Atenção, concentração! Cotonete tá chegando, tchú-tchú-tchú!
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHH! BUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAÁ!
- Pronto, um já foi.
- BUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAÁ!
- Filha, não precisa chorar. Nem doeu. Olha só o nharoco que a mamãe tirou do seu nariz.
- He he he… He he he…
- Viu só? Agora do outro lado. Badabim-badabam-badabum, saiu!
- BUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAÁ!
- Eeeeeeeeeh, não foi nada. Olha só o outro, que enorme!
- He he he… He he he…
E, em velocidade dobra dez, ela tira o nharoco da minha mão e põe na boca…
Amarelinho
Amarelinho é um finado restaurantezinho por quilo que ficava perto da GM lá em São Caetano, e era uma das opções honestas para fugir do bandejão da empresa. Era também o refúgio da mulherada em dieta. Destas, o prato às vezes não passava de 150 gramas. Era aquele matagal de salada escondendo um filézinho pálido de frango anabolizado.
Me lembrei disso porque há dias me dei conta do quanto a Beatriz come. É uma média de 200 gramas por refeição. Veja bem, eu disse MÉDIA. No café da manhã e no jantar – os momentos-troglô da Beatriz – ela chega a comer 250 gramas de comida. E não é pratinho de dieta, não. É sopa gororobenta, cheia de tudo o que se possa imaginar, bombando de proteínas e carboidratos. E ainda depois rói umas bolachas de arroz, e maçã ou banana.
Infelizmente não temos uma profusão de frutas por aqui. Alguns legumes também não existem, o que acaba provocando um certo marasmo nos cardápios bebezais. E começo a inventar, usando a bebê-gerimum como cobaia. Essas invenções requerem uma novena rezada enquanto se cozinha, porque eu procuro seguir à risca as proibições alimentares antes de um ano: nada de leite de vaca, trigo, alimentos com glúten, sal, açúcar, mel e clara de ovo. Improvisation process mode on.
Na semana passada, fiz muffins de milho e fubá. No domingo, coxinha de frango assada. O pai provou e aprovou os quitutes. Já a bebê-gerimum… Aprovar o gosto ela aprovou, mas qualquer consistência diferente de papa ou mingau provoca as melhores caretas de vômito que a gente já viu!
Como detonar um relógio em 3 etapas…

Etapa 1

Etapa 2

Etapa 3





