Sentada na Pia

Porque esse poderá ser o último recurso de um pai e uma mãe de primeira viagem na Coreia do Sul…

Curtas (e grossas)…

… porque eu ‘tô com a paciência por aqui, ó.

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Juro (…) que vai ser a última vez que falo das tetas aqui. Mas ‘tá doendo. Prá burro. Uma semana sem amamentar e as divinas estão me pondo louca. Isso porque a Beatriz estava só mamando um minuto pela manhã e outro pela noite. Me ensinaram a colocar repolho nelas, de preferência congelado. Vou já montar um sutiã repolhudo e depois comer uma saladinha.

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Ah, os hormônios! Eles de novo. E eu achando que tetas doendo por um tempo seria o único reverso da medalha. Lembra toda a revolução que aconteceu aqui? Pois é, a única maneira de sair deste imbroglio é voltar pelo mesmo caminho. We’re moving backwards, for Christ sake!

Tadinho do marido…

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Aí chega a hora da sessão descarrego na gaveta das lingeries. Abre a malinha da ex-barriguda e põe lá dentro todos os sutiãs de gestante, amamentação, sustentação e outros blás. Cinta pós-parto, meias Kendall, calcinhas segura-pança, tudo prá dentro da mala. Hora de rever os velhos amigos do peito. Medo. Encontro na gaveta coisas fazendo aniversário de 15 anos. Outras coisas nem tão velhas, mas tão usadas que não tive coragem de pegá-las. Hora da verdade, na frente do espelho, experimentando os ditos cujos: vou alternando entre riso (nervoso) e choro (desconsolado). Algumas coisas salvas, ainda na esperança de um dia não me espremer dentro delas. O produto final dos risos e choros foi metade para o lixo e metade para a sacola de doações.

E foi assim o meu parto natural, sem intervenções.

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Acho que vou pegar de volta a calcinha segura-pança.

28/05/2010 Posted by | colcha de retalhos, diário | 9 Comentários

Da série “Fotos pelas quais ela vai me odiar no futuro”, Parte 2

Nada como acordar depois de uma longa soneca…

Tá olhando o quê? Nunca acordou com o cabelo zoado, não?

Parte 1 aqui

23/05/2010 Posted by | Beatriz, fotinhas | 12 Comentários

Uma vez divinas, sempre divinas

Hoje é dia de dar adeus ao ticker que fica aqui na barra lateral do blog:

Tchau-tchau, reloginho, tchau-tchau!

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As divinas tetas e Beatriz… quanta estória para contar. Quase todas já foram escritas por aqui, outras não. Hoje Beatriz e tetas disseram adeus, se viram pela última vez. Há algum tempo já estavam se preparando para isso, e silenciosamente iam se despedindo aos poucos. A mãe-natureza, sábia com sempre, ajudava dia a dia no processo da separação. Separação sem traumas, sem bruscas rupturas.

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A mãe aqui, vai bem. Sinto que tomei a decisão de parar com a amamentação na hora certa. Poderia amamentar mais? Sem dúvida. Mas não quero.

Mas estou me sentindo estranha. Não sei explicar. Mais do que fechar um ciclo (o das divinas tetas), eu estou encerrando uma fase que se iniciou lá em abril de 2008. Foi inevitável para mim visualizar tudo graficamente: estive grávida por 769 dias, ou 18456 horas, ou 1.107.360 minutos. Nem vou fazer a conta dos segundos. Xô, Prozac.

A partir de amanhã, meu corpo não estará mais grávido. Todos os hormônios voltam a ser como eram há 2 anos. Quero voltar a ser como era há 2 anos? Hell, no!

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Beatriz, as patrulheiras da amamentação vão dizer que você é assim-assado-frito porque você mamou durante 1 ano, 3 meses e 3 semanas. E as defensoras da fórmula e mamadeira vão dizer que você é grelhado-empanado-gratinado porque você ficou pendurada no peito por 1 ano, 3 meses e 3 semanas. Então, deixe sempre à mão o telefone da Dona Terapeuta. Porque a culpa vai ser sempre da mãe!

20/05/2010 Posted by | Beatriz, colcha de retalhos, diário | 8 Comentários

Cabelinho

Cadê o bebê que 'tava aqui???

Cadê o bebê que 'tava aqui???

19/05/2010 Posted by | Beatriz, diário, fotinhas, Nota 10! | 8 Comentários

Agora, é assim…

Só falta andar...

07/05/2010 Posted by | colcha de retalhos, fotinhas | 8 Comentários

Procura-se um manual. Ou botão.

Uma colega australiana, lá da empresa, deu a luz há 3 semanas. Um menino. Grávida de 7 meses, ela ficou sabendo que deveriam (ela e o marido) voltar para a Austrália. Por motivos óbvios, a volta à Austrália foi adiada, e vai acontecer nas próximas 2 semanas. Como não há licença-maternidade na Austrália (a empresa dá – por lei – uma licença-não-remunerada por até um ano), essa colega volta imediatamente a trabalhar quando lá chegar.

Eu fiquei aqui, pensando com meus botões, no turbilhão que seria a vida dela após o nascimento do bebê: a vida selvagem da maternidade, a mudança, a volta ao trabalho com um bebê recém-nascido. Pensava e me dava aquele nó no estômago. Aquele, que faz a gente se perguntar que raios fui fazer da minha vida.

E eis que na última semana li alguns posts dela no Facebook que me fizeram parar para pensar:

– ela já leu 1/3 da saga Twilight, o que significa que ela já leu QUASE DOIS LIVROS depois que o bebê nasceu

– ela vai ao baile em comemoração ao aniversário da Rainha Elizabeth II (um dos mega-eventos anuais para os ingleses, australianos e neo-zelandeses do pedaço…)

– no dia seguinte ao baile, ela viaja para Jeju, uma ilha aqui na Coreia

– ela tem uns 3 passeios com almoço já marcados com amigas

Enquanto eu lia seus posts, minha cara de quiabo gosmento nunca teve tanta gosma. Pára tudo! Quando a Beatriz tinha 3 semanas, o ponto alto do meu dia era contabilizar as três escovadas dentais diárias! O marildo chegava já sabendo que iria encontrar a espousa descabelada e inchada de tanto chorar, tamanha a incompetência para cuidar daquele serzinho imóvel. Eu olhava a minha agenda onde anotava horários para toda e qualquer respirada da Beatriz, tentando achar um padrão de repetição e entender como é que aquele pacote funcionava. Obviamente tudo isso com um bebê pendurado nas divinas tetas. E a minha colega está lá, lendo Twilight, E ESTÁ NA METADE DA SAGA!

Senti uma ponta de inveja e preocupação…

Em busca de um pouco de alento, inumerei algumas hipóteses:

– o bebê dela veio com manual

– o bebê dela veio com o botão do “fornique-se”

– o bebê dela veio com manual E o botão do “fornique-se”

– ela é a mosca branca do universo materno que não teve um tico de depressão pós-parto

Eu adoraria saber que esses bichinhos receberam um âpigreide de fábrica e já estão saindo com o manual de proprietário. Ou o tal botão.

Minha ponta de inveja não foi pelos livros, pelo baile, pela viagem ou pelos passeios. Minha inveja foi pelos pés no chão, a cabeça livre e sem o domínio dos hormônios, por enxergar preto e branco, e não cinza. Minha preocupação não foi por ela ou pelo bebê: na maternidade cada um vive de um jeito, e esse jeito tem que ser bom para mãe e filho. A preocupação foi comigo mesma. Porque eu ainda enxergo cinza, vez ou outra. A lucidez vai e vem. E fazer, aos 15 meses de maternidade, o que ela fazer às 3 semanas, me parece ainda um sonho impossível.

Será que eu ainda tenho a depressão pós-parto que achei que não tivesse tido????

04/05/2010 Posted by | colcha de retalhos | 17 Comentários