Sentada na Pia

Porque esse poderá ser o último recurso de um pai e uma mãe de primeira viagem na Coreia do Sul…

Divinas tetas fazendo aniversário

Em três dias Beatriz faz aniversário. E com ela, as divinas tetas. Seis meses de amamentação exclusiva, 10 meses de amamentação noturna, e as tetas continuam produzindo modestamente o leitinho para três mamadas diárias da filhota. Às vezes duas. Às vezes 4.

Nesse quase um ano, tive momentos de amor e de ódio com a amamentação. Depois dos seis meses eu senti uma melhora sensível, talvez porque com a introdução dos sólidos eu deixei de me sentir drenada até os ossos. Aí veio a neura da mamadeira, que não acrescentou nada além do capítulo da novela “nunca mais vou parar de amamentar”. Resolvi relaxar e contar com o curso natural das coisas. Fiquei de bem das tetas novamente.

Depois da nossa viagem de Ano Novo, fiquei bastante doente. Um casal de vírus resolveu passar a lua-de-mel dentro de mim, então foi gripe e diarréia ao mesmo tempo. Não bastaram sete dias, eles queriam mais: dez dias para fazerem o serviço completo. Nesse período, a amamentação foi um tormento, algo que me sugava mais do que eu podia dar. Respirei fundo e fui em frente, mesmo porque as tetas são a única fonte láctea da Beatriz. Mas foi duro, me sentia muito fraca, desanimada, e imaginando que eu poderia ter me recuperado muito mais rápido se meus anticorpos não estivessem indo todos embora.

Desnecessário dizer que a Beatriz ficou doente também, mas por um dia somente. Uma coriza chata que nem diminuiu o apetite dela, e só. Nessas horas eu levanto as mãos pro céu para agradecer as divinas tetas…

Às vezes eu me sinto um ET no universo da maternidade. Todo fórum de discussão sobre amamentação eu só encontro mães que bradam de peito aberto “GENTE, EU AAAAAAAAAAMO AMAMENTAR!”. Confesso que eu nunca entendi esse AMOR por amamentar, um sentimento até doentio pelos relatos que eu leio. Mães que sofrem mais que na hora do parto na hora do desmame, ou que se sentem completamente abandonadas pelos seus bebês que decidiram que não querem mais as tetas. Eu me olho no espelho e pergunto: Selma, por que você amamenta? As respostas que vêm são as mais diversas, mas a única que não vem é “eu amamento porque eu AAAAAAAAAAMO AMAMENTAR”.

A cada dia que passa o desmame fica mais próximo. Sei que teremos alguns revezes, mas penso que tudo acontecerá naturalmente, no sentido literal da palavra. A Beatriz aos poucos vai se desvencilhando da necessidade de mamar, vai encontrando novos interesses, novos sabores. E assim, da mesma forma em que tudo começou – naturalmente – ela deixará de ser um bebê para se tornar verdadeiramente a nossa Gulliver, com o universo inteiro para explorar. E eu… bem, eu nunca mais voltarei a ser a mulher que era. Serei uma muito melhor!

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26/01/2010 - Posted by | colcha de retalhos

8 Comentários »

  1. Muito bem: amar amamentar sem exageros. Temos de nos amar também. Logo ela descobre os queijos, pudins, iogurtes, etc. Beijos !

    Comentário por marta | 26/01/2010 | Responder

  2. Oi, Selma! Um Feliz 2010 pra voces !!! Puxa, serio mesmo que a Beatriz j’a vai fazer um aninho? Sera’ que passou rapido so’ pra mim daqui desse lado? … hehe … Eles crescem MESMO! Bem, espero que voce ja’ esteja 100% pra enfrentar o novo ano (dessa vez, do tigre) com a mesma forca e garra de sempre!
    Beijocas,
    Si

    Comentário por Simone Takayama | 26/01/2010 | Responder

  3. Ela so’ esqueceu de dizer que foram as maos magicas do pai que fizeram a Beatriz tomar uma mamadeira, inesperadamente, no domingo…agora vai!!!

    Comentário por Renato | 26/01/2010 | Responder

  4. Parece-me que a amamentação revigora o vínculo estabelecido na gestação. O que eu mais gostava neste período era o olho no olho, a proximidade, a oportunidade de nutrir com o leite e com o carinho. Houve momentos difíceis, minha produção era irregular, ora demais, ora menos, até acertar o passo vivenciei algum incomodo. Houve momentos em que quis meu corpo só para mim de novo também. Aqui o desmame se deu por conta do próprio, primeiro passou a recusar um peito, eu confusa insisti e cedi quando rolou stress. Segui meu coração. Aos 06 meses e meio ele deixou o outro peito. Eu ainda tinha leite e fui retirando. Foi possível amamentá-lo até quase os 08 meses. Mais e mais sinto, que não há fórmulas ideais, cada mulher faz o seu melhor e o que é possível e se for feito com amor é o que importa. (Ainda guardamos muitos silêncios por trás das palavras tão lindas… ) Senti o desmame, mas por outro lado fui descobrindo meu filho ganhando a sua autonomia, mudando de fase e fui aprendendo com ele a manter o vínculo de amor de novas formas. Senti aqueles pézinhos e mãozinhas crescendo, mas também senti uma alegria danada nas descobertas da linguagem, na forma como ele pensa em resolver seus pequeninos problemas com algum brinquedo… Acho que filho torna a gente mais observador, mais flexível e mais feliz… Bem-vinda ao clube dos ETs e parabéns para a Linda Menina! Beijos e muita luz!!!

    Comentário por lu | 26/01/2010 | Responder

  5. E Renatão, fazendo sua parte hein? Pelo jeito muito bem feita. Mostre a força paterna para ela ! Beijos!

    Comentário por marta | 26/01/2010 | Responder

  6. …clap clap clap clap clap… Benvindos ao ‘primeiro ano’, e parabens pelo excelente resultado.
    Abracos!

    Comentário por Helder | 27/01/2010 | Responder

  7. Olha Selma o que eu acho dificil nessa vida de mãe é que não da pra ter uma pausa sabe. Tipo na saude e na doença, num da pra deixar o filho ali do lado e dizer: fica ai um minutinho que eu vou ali me recuperar e ja volto. Em novembro tive um gripe que me derrubou por 2 dias, mas foram exatamente os 2 dias que o Fred não estava em casa pra dar uma mão. A gente consegue, mas não é facil.
    Um grande bj pra vcs e um aperto nessa bebezinha que daqui uns dias sera uma criança.

    Comentário por Laura | 28/01/2010 | Responder

  8. Selma, descobri seu blog hoje e nem sei o que estava procurando qdo o achei…já ri muito aqui e sofri com seu trabalho de parto. Mulher corajosa e guerreira hein ? Eu teria EXIGIDO a cesárea logo depois do primeiro verde. Bem, tua filhota é linda e teus escritos são maravilhosos. Li sobre o AMOOOOOOOOOOOOOOOOOO AMAMENTAR e fecho contigo. Amamento Vitor, de 8 meses, exclusivamente no peito, mas é dureza . Optei pela amamentação por conta da prematuridade dele e estamos indo bem, mas ando na crise do que eu meu tornei além de mãe apaixonada por este serzinho que agora rasteja e resmunga e grita e chooooooooooora allllllllllllllllto. Ele é o 4o filho, depois de 14 anos. Ser mãe aos 41 está sendo uma aventura e tanto. Parabéns pelo blog!

    Comentário por Lênia LUZ | 30/05/2010 | Responder


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