Sentada na Pia

Porque esse poderá ser o último recurso de um pai e uma mãe de primeira viagem na Coreia do Sul…

Se eu te pego…

A Selma hoje me traz notícias frescas do front da convenção semanal de bebês…

Diz que, durante um dos convescotes nenesísticos, um dos meninos “grandinhos” (entenda-se com cerca de 2 anos de idade), filho de uma coreana e de um suíço, começou com umas idéias erradas pra cima da Beatriz.

Não, ele ainda não está dando em cima dela. Na verdade, é o contrário: por causa de um carrinho que a Beatriz tem, o pequeno empiastro (acho que minha vó usava esse termo) armou um barraco, querendo o carrinho pra ele, depois chutando-o violentamente e, a seguir, descendo a mão na Beatriz.

A Selma conseguiu resgatá-la quase a tempo, mas sem poder evitar que ele lograsse um tapa na perna de nossa filhota, a qual, obviamente, abriu o berreiro.

Ele tem 2 anos; ela, 6 meses…

A mãe, uma dessas patsas modernas adepta da psicologia Ursinho Puff (ou “Pooh” para os mais atuais), manda aquela frasezinha típica: “Filho, a mamãe n-ã-o gosta assim”, o que é prontamente ignorado pelo fedelho, que retorna à sua atividade sádica predileta que é se aproveitar de quem é menor.

Claro, toda criança passa por isso mais cedo ou mais tarde. Sempre vai ter alguém mais agressivo(a) que vai querer se impor, principalmente valendo-se do tamanho: eu sou maior, então você submeta-se a mim. A Natureza é assim…mas é de pequeno que aprendemos coisas básicas: o que é dos outros não é meu; se eu quiser brincar tenho que pedir; não se bate nos outros; etc.

Em relação a “não se bate nos outros”, tudo depende da sequência dos fatos. Não se “começa” a bater nos outros mas, se alguém te bater, você não vai ficar lá olhando e esperando o próximo tapa. Eu sei, se te baterem na esquerda, ofereça a direita e vice-versa…mas ofereça junto a sua MÃO direita, bem dada.

Eu tive problemas quando era bem pequeno, e era difícil pra mim revidar. Meu pai falava: “Nato, não é pra brigar. Mas tem que se defender. E lembre-se: é pra dar UMA SÓ”, ou seja, é pra acabar ali. Com o tempo, eu fui aprendendo e, felizmente, nunca precisei entrar em nenhuma briga séria.

Obviamente, a Beatriz está longe dessa fase. Mas nem eu nem a patroa temos sangue de barata. A Selma, imediatamente, interferiu e comeu o toco do moleque. A mãe dele, meio sem graça, vem com aquelas conversas de escolinha pedagógica: “Ah, sabe, entenda, ele fica muito tempo dentro de casa”…

Essa desculpa é boa. Ele fica acorrentado na parede, com focinheira e camisa de força? Quando solta o bicho ele fica loucão e sai que nem um rolo compressor por cima de todo mundo (que é menor que ele, bem entendido)? Esse mundo me diverte…

A sorte do pequeno mancebo (e da mãe dele) é que eu não estava por lá. Eu teria agarrado a mão do valente e gritado um “NÃO! NO! ANNYO!” com uma das minhas caras de zumbi-louco (quem me conhece sabe o que é isso) que faria ele perder o rumo por uns 15 segundos, antes de ele sair correndo chorando pra mãe (e tendo certeza que durante pelo menos os próximos 10 anos ele teria pesadelos recorrentes com o zumbi branco sanguinário).

É impressão minha ou tudo se inverteu mesmo? Eu disse pra Selma que é capaz de a mãe, ao invés de dizer o tradicional “Se você bater nela vai ficar de castigo / não vai ver TV / não vai tomar sorvete / etc. ” é capaz de dizer “Se você NÃO bater nela, eu te compro um brinquedo novo”. É chantagear o bandido como se ele estivesse no seu direito, e não prevenir o meliante com a ameaça da cadeia. Pelamordedeus! Como diria uma das leitoras aqui do Sentada na Pia, a Laura, “olha, espera um pouco que eu vou ali dar uma suicidada e já volto”…

E as educadoras modernas de plantão que seguem a linha do “tudo é lindo, vamos conversar, vamos fazer uma troca, e outras baboseiras” que perdoem o ignorante pai de primeira viagem mas, na minha humilde opinião, não tem essa de “negociação”. Não se negocia com terroristas com quem ainda não conhece limites. Primeiro, você impõe os limites. Depois, podemos até pensar em discutir opções (que mané negociar, que).

Enquanto minha filha não puder se defender sozinha, vai ter criança que vai dançar miúdo com o tio nervosão aqui. E se for arrumar confusão com os pais, eles que me desculpem também. Se vocês não dão um jeito nos seus descendentes, deixem eles longe.

E se a Beatriz um dia armar pra cima de outra criança do mesmo jeito que esse individuozinho, ela vai escutar um monte, com certeza.

“Mas você tem que entender”…sei, eu entendo. Peraí que, no aniversário do seu pequeno orc, eu compro um DVD pra ele: “O Silêncio dos Inocentes”

Molequedozinferno, se eu te pego…

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23/08/2009 - Posted by | diário, Então..., Nervoso

19 Comentários »

  1. Renato, concordo COMPLETAMENTE. Você é PAI/MÃE dos seus filhos ou não??? Você é mais velho, portanto mais experiente [ok, nem sempre é assim, mas vá lá] do que seu filho ou não? E você é ou não a autoridade a quem seu filho tem de se reportar pelo menos até chegar à idade em que já conhece como as coisas funcionam?
    Nada me deixa mais furiosa do que pais que não educam seus filhos.
    Sei lá, eu posso ser antiquada, mas que mané entrar na dança de quem nasceu bem depois de mim, rapaz. Ensinar sempre. Ceder, quando necessário. Abaixar a cabeça a um pequeno marajá? Jamais. Ainda bem que minha criação foi ‘antiquada’, porque vejo minha irmã criando as minhas sobrinhas e lamento o que o futuro reserva pra minha irmã e pras meninas. E quando elas vêm aqui em casa devem me achar a tirana, mas não deixo barato, não. Gritam com minha tia? Levam uma senhora bronca e eu EXIJO que peçam desculpas. NA HORA.

    Ok, escrevi a Bíblia. Mas que eu concordo com vocês, concordo plenamente. Onde é que eu assino, mesmo?

    Comentário por Marlene | 23/08/2009 | Responder

  2. Tá mais do que certo.
    Não deixa um bostinha que se faz de doido colocar as patas na Bia, fala sério!
    Uma vez um menino maldito de 9 ANOS saiu da sala da casa de um parente nosso e deu uma VOADORA no peito do Matheus que tinha 2 anos…
    Matheus bateu a cabeça no chão, ficou sem respirar, bateu os cotovelos e ficou roxo na hora….
    Tá certo que eu posso “até” ter me descontrolado um pouco, mas tenho certeza que cada vez que ele for comer, falar, escovar os dentes e passar fio dental,os 4 dentes de cima e os 3 de baixo que ele teve que colocar prótese vão fazer com que ele se lembre eternamente de mim.
    Sinto muito, mas não teve como evitar. O pai do Matheus falou que eu estava louca e que os pais dele viriam acertar as contas comigo.
    Mandei vir e preparados. Apareceram?
    Outro dia na festa Junina da escola, ele foi caracterizado, chapéu,bigode… coisas de festa Junina.
    Bom, 3 moleques de uns 15 anos que estavam na festa ficaram olhando quando ele passou e começaram a rir.
    Parei, chamei o Matheus e disse:
    -Filho, conhece esses aí?
    Lógico que a minha carinha que já não é linda estava típica cara de PRAÇA DA SÉ.E eu também não sou pequena e ne delicada…
    Cheguei perto dos 3 e dei uma baita encarada de cima abaixo:
    -E AÍ? QUAL O PROBLEMA?
    Voou um para cada lado. Pareciam o Papa-Léguas do desenho.
    Pode não ser nada fino o meu tipo de atitude, mas nenhum imbecil vai tratar mal meu filho enquanto ele não souber se defender.
    Desculpa o discurso, mas tinha que desabafar.
    E Renato, protege a Bia, que a molecada de hoje tá insuportável.
    Vai com tudo!

    BJK

    Comentário por Isabel | 23/08/2009 | Responder

  3. Assino embaixo! Nós aqui estamos na pior das fases, porque na escola ela agora tem que se virar sozinha, como é difícil! E ela é da linha de paz, se apanha só chora e nunca revida. Eu tb não tenho sangue de barata e pra te falar a verdade estou tentando ensinar ela a se defender sim. Pior é lidar com os outros pais… que fazem cara de paisagem. Abcs

    Comentário por Marcela | 23/08/2009 | Responder

  4. Oi Renato/Selma, por mais que vocês fiquem revoltados é uma coisa que vocês não terão como evitar e vão se aborrecer muito. Qdo Beatriz for para a escolinha (ou creche, não sei se na Coreia tem creches como no Brasil), ela vai aparecer com manchas roxas nas canelas, mordidas (tem a fase oral da criança, que ela sai mordendo todo mundo). Ela talvez no início não vai reagir, mas com certeza depois vai aprender a se defender, e ela irá morder tb. Lógico que cabe as pais colocarem limites nisso e mostrar que não é certo, que não se deve agredir. Realmente as crianças e adolescentes hoje estão muito sem limites, estão se tornando cada vez mais tiranos. Você educa seu filho de um jeito e acaba se deparando com filhos dos outros sem limites, é um choque!O que dá mais raiva com certeza é a permissividade dos pais.
    Abraços

    Comentário por Camila | 24/08/2009 | Responder

  5. Só para completar o assunto…
    “Meu pai falava: “Nato, não é pra brigar. Mas tem que se defender. E lembre-se: é pra dar UMA SÓ”, ou seja, é pra acabar ali.”
    Eu chegava mordida no E.M.E.I. Antonio de Oliveir todo santo dia.
    Minha mãe perguntava quem fazia isso e eu ficava quieta.
    Ela falou assim: “Quando ele vier morder de novo, dá uma só e bem dada, que ele vai te respeitar e ver que você não é bobinha.”
    No dia seguinte minha mãe foi chamada na escolinha porque o menino foi levado ao hospital.
    Nunca mais apanhei na escola.

    BJK

    Comentário por Isabel | 24/08/2009 | Responder

    • Opa! Agora quero saber quem é que te mordia!

      Comentário por Selma | 26/08/2009 | Responder

  6. É isso aí compadre! Parabéns. você é dos nossos. Beijôes!

    Comentário por marta | 24/08/2009 | Responder

  7. Como eu gostaria que a Vó, (Manuela) estivesse perto, ia ser legal, se com o neto ninguem folgava, imagina com a bisneta. Tudo é um começo, não da moleza. Bjs dos Vovos.

    Comentário por Vovo Renato | 24/08/2009 | Responder

  8. Kimoninho a Beatriz ja tem, agora so falta o pai ensinar uns chutes e algumas defesas pra ela tambem ganhar uma faixa preta na cintura… rsrsrs… Concordo com as ideias do post, tem que educar, conversar, castigar (da-lhe havaianas no traseiro) para ensinar limites.

    Comentário por Helder | 24/08/2009 | Responder

  9. Só tenho uma palavra pra dizer sobre esse post: ADOREI!
    Bjo

    Comentário por Lile | 24/08/2009 | Responder

  10. Passei por isso semana passada.

    O duro não são as crianças serem assim, irrita mesmo é ver os pais nao fazerem nada alem de deixar os aspirantes a terroristas tomarem conta da situação.

    Comentário por Laura | 24/08/2009 | Responder

  11. Coberto de razão. Tenho vontade de pegar e crianças e pais de crianças assim e chacoalhar até ficarem azul!!!
    O Decio ( meu marido) viu certa vez uma criança mal criada assim e os pais, justificaram dizendo, entre constrangidos e /ou orgulhosos: “ele tem uma personalidade forte”.
    Ou seja, falta de educação mudou de nome.
    A gente as vezes até releva cenas assim, mas sabe que na verdade elas são formadoras de uma geração que não sabe respeitar o que é dos outros, não sabe conviver com limites e parte para agressão.
    São esses que na juventude não saberão levar um fóra da namorada, ver uma ex esposa começar um novo relacionamento, e viram manchetes de jornais depois.Não é mesmo???
    Vamos tratar de preparar a fofa da Bia para o mundo.
    E repetir o conselho do avô.

    Comentário por picida ribeiro | 24/08/2009 | Responder

  12. Assino embaixo, é claro que primeiro devemos impor os limites, principalmente nessa fase!Tomara, tomara que eu consiga impor limites da melhor maneira possível, porque não tem coisa pior que criança mal educada com uma mãe que não está nem ai, e pior, acha que o filho é espertão.
    Abraços.

    Comentário por Fernanda | 24/08/2009 | Responder

  13. Algo que todo pai e mãe deve ter claro em seus papéis: EDUCAR! Educar sempre, desde a barriga, pela vida a fora!

    Comentário por Lu | 25/08/2009 | Responder

  14. Renato,

    Num mundo marcado pelos excessos, falta sensatez em quase tudo o que vemos. E quase tudo é “justificável” para os que querem se eximir de suas responsabilidades…
    Parabéns pelo post.
    E já vou iniciar a campanha:
    Renato para Presidente do Brasil!!!
    Um abração.

    Comentário por Aninha | 26/08/2009 | Responder

  15. Tá certíssimo. Aqui em casa a rédea tb é curta, mas às vezes a convivência c/ outras crianças fica complicada. Ano passado no aniversário da filha de uns amigos meu marido pegou um amiguinho do Ian dando um chute na cara dele (pq ele não deu um carrinho q o menino queria). Ele não pensou 2x, catou o moleque, deu bronca e o colocou de castigo. Os pais do infeliz não gostaram, meu marido pediu desculpas por ter feito a coisa em público, mas ficou o maior mal-estar. Depois disso, eles só comparecem aos eventos sem o filho. Ou seja, em vez de educar o filho pra viver em sociedade, eles resolveram o problema excluindo o menino da mesma. Que futuro…

    Comentário por Karina | 27/08/2009 | Responder

  16. Parabéns pelo texto. Se você não é escritor, cronista, contista, está desperdiçado…Ótimo!

    Comentário por Lúcia Soares | 29/08/2009 | Responder

  17. Menino… eu fui ao Ki muqueca com Alice e Dudu… ela toda gracinha, fazendo mil carinhas e dando tchauzinhos meigos para a platéia que comia em cada mesa no restaurante. Chama neném a cada vez que vê uma criança ,maior ou menor que ela. Um troço de linda.

    Pois a “neném” da outra mesa veio vê-la , andando, deveria ter uns três anos e a minha filhinha tinha só 11 meses. Chegou perto e enfiou a unha com toda a garra para marcar O rosto de Alice. Eu , mãe ninja, num espaço apertado da cadeira, com bebê no colo, consegui retirá-la rápido e num átimo de segundo perceber que a mãe da pequena monstrona ria enquanto a filha louca enfiava as unhas em meu braço que ficou no caminho. E ainda tinha cara de inveja, de má e de raiva – sabe-se lá como este povo consegue fazer uma criança ser assim…

    Briguei com a menina, mandei-a sair dali e o pai de Alice deu uma bronca tão rápida na garota que até Alice chorou.

    Os paspalhos grandes não tiveram atitude alguma, nadica. Mas a menina monstro tentou chegar à mesa paar agredir mais uma vez, ao que meu marido com um olhar e a rispidez de seu não, a fez correr…

    mas me deixem… alguém acha que vou deixar machucar meu bebê? Psicologia para os outros…

    Mas fico refletindo: como é mesmo que estes pais criam seus filhos? A minha é pequena e meu sobrinho tem só dois meses a mais… ambos são bebês tranquilos e carinhosos.

    Comentário por Alena Cairo | 07/09/2009 | Responder

  18. Renato e Selma…
    Parabéns pelo post… Mas confesso a vcs que pra mim é muito difícil de comentá-lo.
    Meu filho JP esta com 9 anos sempre foi muito bonzinho e apanhava de todo mundo. Com dois anos um moleque na escola enfiou as 5 unhas no rosto dele que tem marcas até hj…
    Mas a vida é uma caixinha de surpresas não é??? Então de uns tempos pra cá venho vivendo a situação do lado contrário.. Agora é o meu filho quem anda batendo…
    As vezes ele até tem motivo ( claro que em crianças da idade dele que brigaram ou bateram nele tbm) mas eu como uma pessoa que nunca bateu nem apanhou de ninguem não consigo achar isso normal…
    Sofro horrores qdo isso acontece!!!
    Coloco de castigo, tiro as coisas que ele mais gosta por um tempo, enfim faço tudo que acho que vai fazê-lo pensar um pouco antes de agir de impulso na próxima situação… Mas é muito difícil confesso!!!!
    Agora que não dá pra deixar pra lá e fingir quenada aconteceu isso não dá… Decididamente eu não sou a mãe que finge não ver o que meu filho apronbtou e deixar pra lá…
    desculpe o desabafo…

    Comentário por Renata Roldi | 08/10/2009 | Responder


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