Sentada na Pia

Porque esse poderá ser o último recurso de um pai e uma mãe de primeira viagem na Coreia do Sul…

Sono

O sono deveria ser algo tão natural quanto fazer um xixi. O sono bateu? Então fecha os olhos e dorme. Mas como uma coisa que soa tão simples pode ser tão complicada?

Aprendi com Beatriz que o dormir precisa ser ensinado. Com raras exceções, bebês não conseguem dormir sozinhos. Eles precisam de treinamento, e os pais de muita observação e paciência. E nossa pequena Beatriz se enquadrou na massacrante maioria dos bebês que têm sono mas não sabem como chegar lá. Fechar os olhos não basta, e se eu e o Renato não a ajudarmos, a bichinha não capota nem por decreto.

Então, a gente apela para a pesquisa e leitura dos entendidos e dos fóruns com as vozes da experiência. Problema básico de encontrar teorias e métodos completamente divergentes. Tudo nesse universo bebezístico é oito ou oitenta. Tem teóricos que dizem que o bebê precisa ser acalentado para dormir, SEMPRE; seja no colo, seja no peito porque deixar chorar não é opção. Outros, que dizem que o bebê precisa ser colocado no berço e deixado lá, chorando por tempos determinados, até que ele aprenda que ninguém irá socorrê-lo, e assim ele aprende a dormir; para esses, qualquer pessoa ou objeto que interfira no aprendizado do sono é prejudicial à criança.

Aí tem que entrar o bom senso. Não gosto da idéia de deixar a criança largada no berço, aos berros, e também não gosto da idéia de pais-reféns. E nesse sentido estou na tentativa-e-erro de ensinar a Beatriz a dormir.

Ela tem um padrão bem específico, até o momento. Tira cochilos de 45 minutos a 1 hora, e fica acordada por 1,5 hora. É só contar no relógio: depois de 1 hora e 20 minutos, ela começa a bocejar. Os olhos ficam vermelhos e vidrados, e um choramingo mimimi vem logo em seguida. Eu a pego no colo, vou dizendo baixinho que é hora do soninho enquanto a levo para o quarto, digo para ela dizer tchau ao sol e à luz, enquanto fecho as persianas, deito-a, coloco a chupeta e coloco a “ursinha godê” dela (depois colo fotinhos!). Se ela está meio nervosa, fico com ela um pouquinho passando as mãos nas costas até que ela acalme. Uma vez calminha, ela fecha os olhos e dorme. Ela também sabe a diferença do dia e da noite, e sabe que depois do banho vem o sonão.

É claro que eu tenho que ser flexível. Nos picos de crescimento e de desenvolvimento ela tem outras necessidades, e fica muito mais sensível porque não entende as mudanças no corpinho dela. Então ela pode pedir o peito para dormir, ou mesmo pedir para ser embalada. E às vezes ela quer ficar acordada mais tempo: se os olhinhos estão espertos, eu deixo. Se estão vidrados e ela está lutando com o sono, entro em ação.

Nas duas linhas extremistas de pensamento, usar objetos intermediários está fora de questão. Deixar um bebê sozinho na cama (que absurdo!), com uma chupeta e uma ursinha-godê (outro absurdo!)? Bom, será isso um problema? Tentando seguir um pouquinho da minha ainda crua intuição materna, é preciso achar aquilo que faz o nosso bebê feliz. Beatriz não é feliz sendo ninada prá lá e prá cá, e não é feliz sendo deixada chorando no berço. Mas é muito feliz com sua chupeta e sua ursinha-godê, entrando com eles no mundo dos sonhos.

E pensando bem, eu mesma nunca soube dormir sozinha. Não sei como foi quando eu era pequena, mas eu sempre precisei de um objeto intermediário para dormir. Até hoje. Quando criança, eu tenho lembrança de fazer a minha mãe contar Os Três Porquinhos para eu dormir, isso por anos a fio; na adolescência, eu dormia com dois travesseiros: um deles eu abraçava para dormir. Além do travesseiro, eu não conseguia ir prá cama sem ler um livro. Eles me seguiram até a fase adulta, onde também introduzi a TV. Ok, TV foi uma péssima idéia, já tirei a TV. E não preciso mais do travesseiro também. Mas ler antes de dormir é a minha porta de entrada para o mundo dos sonhos. Hoje, com a Beatriz… bem, ELA é o meu objeto intermediário durante o dia todo! Eu não durmo, eu desmaio.

Segunda-feira foi o primeiro dia após o nascimento da Beatriz em que consegui tirar a tão falada “soneca enquanto ela dorme”. E por uma única razão: estava chovendo. O barulho da chuva me embalou e eu consegui pegar no sono. Do contrário, não tem nada que me faça dormir durante o dia.

Sim, eu sei. Eu preciso dormir enquanto ela dorme. Para mim isso é bem difícil, além de que eu não acho que funcione muito bem na prática…

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22/04/2009 - Posted by | Beatriz, colcha de retalhos

7 Comentários »

  1. Ola! Acho que seguir o seu instinto é a melhor coisa e pelo jeito funciona… E lendo como vc a faz dormir, me deu vontande de voltar para cama e dormir!! Beijos : )

    Comentário por Natalia | 22/04/2009 | Responder

  2. Eu tb nunca consegui dormir durante o dia, mesmo chapada de sono. Acho que vc está no caminho certo, siga seus instintos porque o sono dos pequenos varia tanto a medida que eles crescem que a gente tem que ir sempre procurando novas maneiras de ajudá-los a cair no sono. Quando bebê Juju só dformia no colo, ninada, quase tive que arrancar o braço fora de tão podre que ficou. Depois eu deitava no quarto perto da cama dela, cantava, contava história… Agora ela dorme sozinha, eu leio uma histórinha, canto uma música e dou boa noite. Quer dizer, sozinha, não, com a população que habita a cama dela, Aninha, Maja, Tiger, amu gatinha e um cachorro de pelúcia. Novas aquisições entram a cada dia! Bjs

    Comentário por Marcela | 22/04/2009 | Responder

  3. Acho que está certa mesmo. Companhias para dormir são sempre bem vindas. Quanto ao sono diurno: é muito difícil pois os outros aa. fazeres não são feitos com passe de mágica. Beijos.

    Comentário por marta | 22/04/2009 | Responder

  4. Ois:)

    Esse negócio de dormir enquanto o bebê dorme nunca funcionou para mim. Quando ela dorme, aproveito para lavar a louça, arrumar a cama, lavar a roupa….poquê ela não me deixa fazer nada disso quando está acordada (ainda mais que está engatinhando).
    Beijinhos

    Comentário por Fátima | 22/04/2009 | Responder

  5. Eu simplesmente não consigo dormir qdo bebê está dormindo ( o que não é uma atitude mto saudável para uma enfermeira de UTI Neonatal, passo o plantão com olhos esbugalhados). Não sei se é instito, vida passada, whatever.
    Sendo assim depois que Beatriz , que tem 4 meses, mama e dá sinais de cansaço coloco I love u baby, it’s time to go to sleep ou a sonata número 8 de Beethoven para bebês . È tiro e queda, menos de 2 minutos e ela já tá roncando hahahahahahah

    beijinhos

    Comentário por Andrea | 24/04/2009 | Responder

  6. Uma boa noite de sono… (ou melhor, a falta dela) essa é uma das lembranças de uando os meus nasceram. O primeiro mamava um peito 15 min, fazia cocô, eu trocava, dava o outro peito, fazia outro cocô, trocava de novo. Ele dormia depois, mas eu não. Daqui a pouco era hora de mamar de novo…

    Comentário por Simone | 24/04/2009 | Responder

  7. Selma

    Por aqui usei a teoria do “menos é mais”. Procurei estabelecer ritmos para o bebê. Respeitando os horários das mamadas, trocas de fraldas, banho e o horário de dormir à noite. Até hoje, por volta das 20h00 vou diminuindo as luzes pela casa, abaixando o som da tv e preparando o caminho para a cama. Em geral o Vini vai para a cama às 21h00. Enquanto o fazíamos dormir direto no seu berço era uma luta e uma dor nas costas. Fui prática. Comecei a levá-lo para a minha cama e me deito junto com ele. Em minutos ele adormece e vai para o seu quarto. (Procuro diminuir os estímulos todos. Faço uma prece curtinha. E vou ficando quieta junto com ele.) Não sei por que, mas às vezes, os bebês sentem falta do contato físico, talvez pois ainda estão desenvolvendo o controle de temperatura corporal. Adormecem mais facilmente se estiverem aquecidos. Sou bem flexível, há dias em que mesmo na cama ele quer conversar, é engraçado. conversamos e ele vai aos poucos se aquietando. Sinta os ritmos da sua pequena e vá conduzindo com carinho. Eu explico tudo para o meu pequeno (desde a barriga – quando deitava à noite, dizia-lhe que este é um momento importante para repormos as nossas energias e de descancar) e costuma funcionar bem. (Por aqui ele dorme a noite toda desde 01 mês e meio. às vezes eu o acordava para mamar, por neura, preocupação – era um auê, uma choradeira só. Verifiquei com a pediatra, que me disse que o termometro seria verificar se o seu peso estava adequado. Se estivesse, que dormisse à vontade. E por aí foi.) O tempo e o amor são preciosos para irmos acalmando nossos corações maternos. Um beijo bem grandão. Lu

    Comentário por Lu | 27/04/2009 | Responder


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