Sentada na Pia

Porque esse poderá ser o último recurso de um pai e uma mãe de primeira viagem na Coreia do Sul…

Houston, we (may) have a problem

Há duas semanas a Beatriz vem apresentando um comportamento um tanto quanto “sensível” em relação a pessoas. Em casa ela é um bebê super-feliz, ativo e sorridente. Mas… se alguém diferente chega, ou se vamos à casa de alguém, o tempo fecha. É um berreiro estridente, daqueles que a gente acha que a Bichinha tá morrendo. Sem exagero, é um negócio insuportável. O detalhe interessante é que, se ela é expectadora, nada acontece. Na rua ela sorri e brinca com as pessoas. O problema é se ela é a protagonista da estória. Chegou perto, o escândalo começa; sai de perto, ela sossega.

Na terça fui à casa da Bridget, mãe do Kaleb, para o nosso Baby Playdate semanal. Fomos à pé, uma caminhada de uns 45 minutos. A Beatriz estava feliz da vida no carrinho. Observou a paisagem, brincou com as mãos e dormiu. Chegando lá, ela parecia desconfiada. Bom, bastante natural, porque era um lugar completamente diferente de casa. Observou tudo, arriscou uma risadinha com a Bridget, e depois de 15 minutos pediu para comer. Dei de mamar, e o minuto seguinte que ela saiu do peito, o berreiro começou. Por 20 minutos não houve nada que a acalmasse, então resolvi ir embora. No momento em que a coloquei de volta no carrinho, ela parou de chorar. Saímos do apartamento, e ela já estava rindo para mim, feliz de novo. No caminho de volta, era eu quem queria chorar…

Ontem foi dia de aula de Taekwondo para as crianças do condomínio, e no final do dia levei a Beatriz ao playroom, onde as aulas acontecem. Fui até onde as mães estavam, e assim que a Beatriz as viu, o chororô começou. Tirava as pessoas do campo de visão dela, ela parava. Voltava, e ela começava a chorar. Mas com as crianças ela não deu um piu: ficava observando, tentando entender o que elas estavam fazendo. E quando elas chegavam perto, continuava quietinha. Fiquei lá por 15 minutos para ela se ambientar com coisas diferentes.

Essa fase, ou crise, ou sei lá como chamar, é algo que nos preocupa muito. Em função do nossa condição de expatriado, o convívio com pessoas diferentes é muito restrito. E ela nasceu no meio do invernão, o que não ajudou muito. Por muito tempo fomos só nós duas, e mais o Renato pelas manhãs e finais de semana. Não sabemos se isso contribuiu para essa fase, ou se todo bebê passa por isso mais cedo ou mais tarde, ou se é algum traço da personalidade dela. Mas daqui a alguns meses iremos de férias ao Brasil, e será muito ruim se essa insociabilidade toda ainda estiver presente. Vai ser frustração prá todo mundo, e um stress danado prá nós.

Bom, continuarei com as excursões aonde o povo está. Água mole em pedra dura…

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17/04/2009 - Posted by | Beatriz, colcha de retalhos

12 Comentários »

  1. Ola Selma, tudo bem ?

    A tempos sigo o “Nós na Coréia” e acompanhei de “perto”
    todos os momento até a chegada da DIVINA Beatriz !
    Primeiro gostaria de Parabenizar pela formoza criança que Deus deu a vocês, com certeza o melhor presente ! =)

    Como aprendo Coreano a 5 meses fuço em tudo que é lado
    e tenho encontrado diversos blogs assim como o de vocês
    quando dá uma trégua de toda árdua porem prazerosa rotina,
    sento e escrevo em alguns !

    Sobre essa fase da bebê, a não sociabilidade interfere sim, mas é normal e passará logo, faz parte da identificação dela, e continue fazendo o roteiro de hj, leve-a até as crianças, é com essas que ela se identificará mais! 😉

    Curta mesmo, CADA momento, é INEXPLICÁVEL ter um anjinho desse em nossos braços !

    Sou estudante de Psicologia e faço estágio em um Hospital de Câncer Infantil, é dolorozo, cruel, mas é de extrema significância para mim!

    Sempre que puder darei uma passadinha e deixarei um “oizinho” !

    Um forte abraço, fique com Deus
    e dá um bjão na fofura por mim ! 😉

    Michelle

    Comentário por Michelle | 17/04/2009 | Responder

  2. Não se deixe vencer pelos berros dela. Continue indo onde tem bastante gente e deixe todo mundo brincar com ela, inclusive segurá-la. Quando ela sentir que não há perigo passa. Diga à ela que a segurarei mesmo berrando tá? Beijos!

    Comentário por marta | 17/04/2009 | Responder

  3. Opa!!!
    Quer dizer que a gente vai receber a visita da Princesa Beatriz em breve?
    Maravilha…hehehe
    Selma, ela não tem nem 3 mese, tudo passa, tranquilo.
    O Matheus era um bebê ofercido e é até hoje, é a personalidade de cada um.
    Leve em consideração a situação de vocês, país diferente, inverno, convívio só com os pais, poucas saídas devido ao inverno…etc…
    Ela vai se acostumando sim.
    Quando alguém chegar perto dela, fique junto,passe tranquilidade que com o tempo ela vai se soltando.
    Eu, com 37 anos tenho pavor de gente!!! Uma mistura de agorafobia com síndrome do pânico e claustrofobia que vc nem imagina.E olha que eu sou “veinha” hein?!
    É fase de adaptação dela ao novo, pode ter certeza que passa.
    No começo pode achar que ela é anti social, retraída, mas é assim…ela está passando por esta fase agora e tem que entender e fazer o melhor possível para que ela se sinta melhor.
    Tudo na vida passa, COM CERTEZA!

    Bjk

    Comentário por Isabel | 17/04/2009 | Responder

  4. E eu escrevi “meses” sem o “S” no final, que vergonha….

    Comentário por Isabel | 17/04/2009 | Responder

  5. Oi Selma

    Acho que isso é normal de todo bebê ! A Ísis já está com oito meses e continua dando dessas ! É é isso mesmo, é só colocar no carro, ou chegar em casa que ela abre aquele sorrisão ! Agora final de maio, vamos para a casa dos avós em Belém do Pará, que ela só conheceu na fase “RN”. Com certeza, vai ser aquele “chororo”. Casa diferente, pessoas diferentes, clima diferente. Mas..vamos corajosamente !
    Um beijão para vc!

    Comentário por Fátima | 18/04/2009 | Responder

  6. Selma náo te preocupa todo bebe passa por isso, ela se sente segura com os pais, o desconhecido ainda causa medo, dá um tempo e ela vai percebendo que nao corre riscos
    abraços

    Comentário por araci | 18/04/2009 | Responder

  7. Ah, eu acho que isso é normal, ela é muuuuito pequena ainda. Nunca passei por isso porque Julia se pudesse já teria a chave de casa quando nasceu, cortaram o cordão e ela foi pra vida, quem ficava carente era eu porque ela não estranhava NADA. Pouquíssimos episódios que nem levo em consideração. Maaaas, o que vejo e vi com outras mães é que os bebês estranham mesmo, super normal, depois passa. Agora, querida, lá vai um conselho não solicitado pra vc, se vais para o Brasil começa a te acostumar com a pegação, VOCÊ, não ela, porque lá quem penou fui eu. Até estranho na rua apertava as bochechas da minha boneca, e como eu tinha saído da Alemanha, achava aquilo muuuuito estranho e até hoje não gosto. Parece que vc está em outro mundo, todo mundo vira íntimo e quer pegar o bebê. Beijocas!

    Comentário por Marcela | 18/04/2009 | Responder

  8. Ai Selma, se tem uma coisa que me fez passar apertos foi isso. TOdo mundo que chegava perto e mexia com a Bebedocinha era “o” berreiro. Eu pensava que era por conta de sermos so nos 3 e como o Fred trabalha muito, ficamos so nos duas.

    Mas de uma semana pra ca ela resolveu começar a encarar o povo e até lança uns sorrisos, mas ainda da show de lagrimas que terminam assim que chega no meu colo.
    Bjssss

    Comentário por Laura | 18/04/2009 | Responder

  9. Não tenho a menor experiência no assunto, mas acho que é natural. Ela ainda está conhecendo o mundo, coitada. Infelizmente não temos lembrança desse nosso momento, mas deve ser bem estranho…
    Bom, boa sorte.
    Beijo,
    Tati.

    Comentário por trezende | 18/04/2009 | Responder

  10. Oi Selma,
    Mostrei este post para a patroa e aqui estao algumas sugestoes e comentarios que ela mandou passar: e’ possivel que ela tenha se acostumado a alguns poucos rostos conhecidos e que entao esteja estranhando os novos adultos que aparecem na frente dela, continue com a ‘agua mole em pedra dura’ levando a Beatriz para shoppings, parques e encontros de familias, deixe que ela observe os adultos ao redor durante essas ocasioes, em casa coloque algum programa de televisao ou DVD/video que tb mostre adultos (normalmente as pessoas colocam desenho animado ou videos com outras criancas), e com relacao a viagem ao Brasil, faca como a gente fez comprando um album de plastico da colecao Baby Einstein onde se pode colocar umas 5 fotos 10×15 dos pais, avos, familiares ou amigos proximos. Dessa forma voces podem brincar com ela e ao mesmo tempo mostrar os rostos de pessoas que ela conhecera em breve, reduzindo a chance de ela estranhar algumas das pessoas mais proximas a familia. Abracos! (te mando um e-mail com a foto do album)

    Comentário por Helder | 18/04/2009 | Responder

  11. Querida Selminha,

    Assim como não existem dois flocos de neve exatamente iguais, o mesmo acontece com as pessoas e os nenês.
    Como eu já te disse anteriormente, sejam bemvindos a aventura da paternidade.
    Não dá para generalizar ou se obter fórmulas prontas para criar uma criança.
    Quanto ao efeito “Maria Gasolina”, no balanço do carro, se sentir num ambiente seguro e de dimensões conhecidas tem efeito rápido no humor da petiz.
    Vou te contar um episódio que aconteceu com a gente a uns 22 anos atrás.
    Não existiam celulares, bips, pagers ou outras comodidades de comunicação instantane de hoje.
    Moravamos em SBC e ,invariávelmente, todos os finais de semanas íamos a Santos para ver as famílias.
    O Thomaz, o bebê em questão e como a esmagadora maioria, era doce, brincalhão e amigável.
    E o único neto de uma sequência de netas que os meus pais tinham.
    Numa noite, ao nos despedirmos na garagem do prédio, veio o pedido suplicante de um casal de idosos, radiantes e babentos com o Tho no colo, pedindo que ele ficasse por mais uns dias.
    A Nívea, foi contra. Os laços maternais eram muito fortes.
    Mas como não considerar seu pai e sua mãe, com os olhos brilhando?
    Momentos de negociação e partimos para São Bernardo com uma das cadeirnhas no banco de trás vazias pela primeira vez.
    Choradeira geral da mãe, que contagiou a Clarissa, a nossa filha mais nova.
    Uma hora depois, foi chegar em casa e encontrar o telefone disparado.
    Minha mãe pedia que eu descesse para ir buscar aquela criança já que, mesmo ela tendo a experiência de ter tido quatro filhos, não conseguiu fazer parar de chorar nem por um segundo.
    Bati o meu record na Via Anchieta naquele final de noite e cheguei no prédio dos meus pais em Santos (70Km de distância e 15 Km de serra imortalizados por Roberto Carlos)em questão de minutos.
    Em pé, na frente garagem, já estavam meu pai e minha mãe com o Thomaz no colo.
    Aos berros.
    Ao ver o carro, parou de chorar.
    Quando desci, estendeu os braços para mim.
    Coloquei na cadeirinha no banco de trás, me despedi de meus pais e uns 30 metros depois ele já estava dormindo.
    Assim, tenha sempre paciência (sempre que possível), amor (às tonelasdas) e compreensão (infinita).
    Hoje ela se comunica pelo olhar, pelo choro e agora pelas risadas.
    E você e o Renato tem amor às toneladas, boa formação, sensibilidade, e muitas outras qualidades que não teria espaço para citar.
    Mas a principal é o que se costumava chamar de “berço”.
    Vocês são pessoas boas, dá para ver no olhar.
    Tiveram um bom berço, muito provavelmente criados com muito amor e carinho.
    Meu falecido pai, entre as inúmeras coisas que me ensinou, dizia:
    “As pessoas só dão aquilo o que elas têm”.
    Assim, não se preocupem.
    Vocês tem tudo o que a Beatriz precisa para ter também um bom “berço”.
    Beijão

    Comentário por José Eduardo | 19/04/2009 | Responder

  12. Selma

    Bebês são seres ainda muito sensíveis, captam muito do que acontecem no entorno. às vezes preferem ficar no porto seguro onde estão habituados. Vocês são o porto seguro da bela Beatriz. Tente perceber o que pode assustá-la. Meu pequeno não gosta por exemplo,(até hoje) de aproximações muito afoitas. Observa todo o ambiente a sua volta e no seu tempo e ritmo vai se aproximando das pessoas, interagindo, procuro respeitar isso. Quando os tios que moram na Alemanha vieram visitá-lo (ele tinha a mesma idade da sua pequena), coloquei fotos deles pela casa e fui dizendo quem eram e brincando com ele. Quando chegaram foi muito suave e tranquilo. (Eu costumava pedir proteção para ele. Imaginava Deus envolvendo-o com um abaço de luz e amor. E imaginava esta luz formando uma redoma de proteção entorno dele.Percebi que de certa forma isso o deixava mais tranquilo). E sempre procuro dizer a ele onde vamos, o que vamos fazer (tem sido ótimo, em especial com as vacinas), quem vamos ver, desde os primeiros dias. (Acho que ajuda a deixá-los mais tranquilos). Talvez valha a pena ir conversando com ela sobre a viagem ao Brasil, sobre as pessoas que irão encontrar, sobre o quanto é importante para vocês (a família) este momento, sobre a experiência de voar, de estar no avião ou tudo aquilo que vocês acham importante. Beijos Lu

    Comentário por Lu | 27/04/2009 | Responder


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