Sentada na Pia

Porque esse poderá ser o último recurso de um pai e uma mãe de primeira viagem na Coreia do Sul…

Mais sobre as divinas tetas

Como quase tudo na vida, amamentar também é 95% transpiração. Quanto mais fazemos, mais fácil fica e mais experts no assunto nos tornamos. Mas demora um pouco para chegar a essa conclusão. Ou melhor, para entender que com o passar dos dias o magnetismo entre a boca do bebê e o mamilo aumenta exponencialmente.

Nunca vou me esquecer do pânico que me tomou quando a Beatriz foi pro quarto pela primeira vez, umas duas horas após o nascimento. Quero dizer, o pânico não foi dela ter vindo para o quarto, mas da enfermeira do berçário colocá-la no meu colo para mamar. Teoricamente ela estava lá para me ensinar, só que ela falava tanto inglês quanto eu falo javanês. Ou seja, sei lá o que é javanês. Quando não tem tu, vai tu mesmo. E foi nesse espírito em que a coreana fez o trabalho dela usando a linguagem universal: ajustou a cama, fez um ninho com todos os travesseiros que ela pôde achar, colocou a Beatriz sobre esse ninho encaixando-a nos meus braços, pegou a cabecinha dela e PUMBA! na minha teta. Foi aquele suador, porque a nenê estava também aprendendo. O ato reflexo de sugar estava lá, com aquela boquinha de peixe procurando a teta, mas quando a encontrava ela não conseguia o encaixe para mamar. Quando ela finalmente pegou, a enfermeira escafedeu-se do quarto. A lição tinha terminado.

Ok, Dna Moça Enfermeira. Olha só: estou eu aqui, deitada nessa cama, tonta de todos os barbitúricos que estão entrando por essa veia, ainda sob o efeito da anestesia, com um corte na pança do tamanho da orla de Santos, E VOCÊ VEM ENFIAR A CABEÇA DA MINHA FILHA NA MINHA TETA E VAI EMBORA?

Tipo… ferrou.

Bem, durante os 6 dias em que fiquei no hospital, minha vida foi montar ninhos com travesseiros na cama para tentar amamentar a Beatriz. É óbvio que sempre que a enfermeira chegava ela vinha ajustar alguma coisa que eu tinha feito errado. Meu Deus, o que fazer sem travesseiros?

Chegar em casa foi o início de outra epopéia. Como eu não tinha uma poltrona de amamentação, o único lugar “ajustável” da casa era a sala de estar. Então eu usava o sofá, mas não conseguia fazer nada sem travesseiros. Quando finalmente eu me achava (ou pensava que), eu acabava toda torta levando o peito à boca da Beatriz. Ela mamava, mas eu sabia que aquilo não era bom. Eu estava virando um ponto de interrogação de tão torta.

Eu tinha que fazer alguma coisa. E fiz. Comprei uma almofada de amamentação, e parecia que meu problema estava resolvido! Era muito mais fácil, eu não precisava me torcer toda no sofá, e a nenê ficava em uma posição boa. Era assim que eu achava.

Mas já tinha sido um progresso. Achar uma boa posição era um problema; o outro era ajustar a pega. Ô, coisinha difícil.

A almofada tinha aliviado bastante o stress, mas havia ainda outro. Como eu amamentava na sala, as mamadas da madrugada eram um problema. Ela acordava, eu tirava do berço, levava para a sala, colocava ela na posição, ela mamava. Parava de mamar, voltava para o quarto, trocava, voltava para a sala, mamava de novo. Aí tinha que fazer ela dormir. E vai e vem e vai e vem, até que o sono chegasse. Nisso já se passavam duas horas da hora que ela tinha acordado para mamar. E eu morta, zumbi total.

E eu tinha que fazer alguma coisa. E fiz. Resolvi dar uma olhadinha no encarte sobre amamentação que ganhei no hospital. Não tinha olhado antes porque estava em coreano, mas tinha umas fotinhos. Amamentar segurando no colo, amamentar segurando de lado… coisas que parecem impossíveis de serem feitas. Aí vi uma que me interessou: amamentar deitada. Como no quarto da Beatriz tem uma cama, essa opção me pareceu mais certeira. E fui testar.

Quando amamentei a Beatriz pela primeira vez deitada, eu não podia acreditar. Era muito fácil! Estávamos na posição correta, ela encaixada certinho, pegando que era uma maravilha, e super-relaxada, o que diminuia a ingestão de ar durante a mamada. Respirei aliviada. Eu via a luz no fim do túnel.

Aí veio a primeira noite. Ela acordou, tirei-a do berço direto para a cama, ela mamou e… dormiu! Foi tirá-la da cama e levar para o berço. Na próxima hora, a mesma coisa. E assim por todas as noites (exceto as premiadas com uma dorzinha de barriga…). Dessa forma, ela dorme de 12 a 14 horas, com 3 ou 4 intervalos para mamar.

Com o passar das semanas, fui aprendendo a dar de mamar no colo, sem apoio nenhum. Afinal, ter que amamentar na rua é amamentar nas horas mais inusitadas e nos lugares mais desprovidos de recursos, então aprender era preciso. Ainda estou no momento “transpiração” do negócio, mas hoje já consigo amamentar sentada no chão com as pernas cruzadas, sentada em uma cadeira, sofá, o que seja. Ainda preciso melhorar muito, mas sair e ter que amamentar fora de casa já não me estressa mais.

O próximo passo é amamentar em pé! Essa eu quero ver…

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23/03/2009 - Posted by | colcha de retalhos

20 Comentários »

  1. Como diz o ditado: ” Quando a água bate na b……, aprendemos rapidinho.” Também tive esses probleminhas e estou aqui: sã e salva. Gostei de saber que ela dorme logo depois da mamada, isso é maravilhoso, para ambas as partes. Beijos e parabéns por mais uma vitória.

    Comentário por marta | 23/03/2009 | Responder

    • Nesse estágio a água nem precisa bater na b…, é só bater na canela prá gente aprender! Bjs!

      Comentário por Selma | 25/03/2009 | Responder

  2. Selma,

    Amamentar me fazia perguntar o tempo inteiro se estava fazendo tudo corretamente… Mas, é como vc disse, com o tempo, pegamos a prática. E eu já estou na fase “amamentar de pé” e “andando”, uma maravilha!!! 🙂
    Boa sorte pra vc tb.

    Bjs.

    Comentário por Aninha | 23/03/2009 | Responder

    • Aninha, minha heroína! Me ensina isso de amamentar e andar!

      Comentário por Selma | 25/03/2009 | Responder

  3. sei que vais amamentar ate debaixo do chuveiro
    beijos a todos

    Comentário por araci | 23/03/2009 | Responder

    • Tomara, Araci! Bem, vai ser engraçado! Bjs!

      Comentário por Selma | 25/03/2009 | Responder

  4. Selma,
    depois escreve um livro tá?
    Precisa narrar suas aventuras em terras desconhecidas com bebê a bordo.
    Muitas “tias” vão comprar o livro e eu vou querer um para a minha “futura nora”,,,,hihihihi
    Beijosssssssss

    Comentário por Isabel | 23/03/2009 | Responder

    • Mais um livro? Ok! Mas preciso começar o outro primeiro!
      Bom saber que já tenho “freguesa”!

      Comentário por Selma | 25/03/2009 | Responder

  5. Selma, fica tranquila, daqui uns dias, você não só estará amamentando em pé, mas também amamentando fazendo arroz, passando batom, aspirador, fazendo escova…

    Comentário por monica | 24/03/2009 | Responder

    • Mônica, escova eu não faço nem sozinha! Já o fazendo arroz, tô dentro!

      Comentário por Selma | 25/03/2009 | Responder

  6. E amamentar sem pé? Essa eu quero ver…

    Comentário por Renato | 24/03/2009 | Responder

    • Caramba, e eu que pensei que era ruim com preposições somente no inglês… Já vou consertar… 😦

      Comentário por Selma | 25/03/2009 | Responder

  7. Sensacional!!! Parabéns! Vc vai conseguir de todas as formas!

    Comentário por Lígia | 24/03/2009 | Responder

    • Preciso descobrir outras!!!

      Comentário por Selma | 25/03/2009 | Responder

  8. Oi Selma!

    Amamentar é mesmo um aprendizado. Tanto da nossa parte quanto do bebê. A Ísis agora que está com dentinhos (em cima e em baixo), e está me mordendo demais. Embora agora ela só mame três vezes ao dia (pela manhã, a tarde e a noite), essas mamadas estão sendo bem difíceis. Ela não gosta de mamadeira, e também não come a papinha de Aptamil com Mucilon. Mas…a gente vai tentado né. Ah…só uma coisinha..não é para te confundir não. Mas quando fiz o curso de gestantes da Maternidade de Campinas nos disseram para não amamentar o bebê deitado. Ao que me parece, tem a ver com os ouvidos. O leite pode se acumular no timpano e causar infecções. Mas olha..sabe como é…cada lugar eles dizem uma coisa, para nos deixar doidinhas. Por isso, a gente tem que escolher um caminho e ir em frente!

    Boa sorte e um grande beijo!

    Comentário por Fátima | 24/03/2009 | Responder

  9. Fátima, eu já sabia que no Brasil a amamentação enquanto deitada não é recomendada. Mas no resto do mundo é. E todas as minhas amigas aqui amamentaram e amamentam deitadas. É a mesma coisa da chupeta vs. dedão. No Brasil a chupeta é recomendada, nos EUA o dedão, e por aí vai…
    Bjs!

    Comentário por Selma | 25/03/2009 | Responder

  10. Selma,
    vamos simplificar as coisas, minha filha.
    Me manda passagem de ida e volta de “brinde” que eu vou aí na sua casa e te ensino as maneiras todas de amamentar tá?
    E de quebra passeio bastantetambém…:p

    hehehe<<<—trouxa eu né?
    Bjk

    Comentário por Isabel | 25/03/2009 | Responder

    • Esse brinde é meio caro… Snif snif…

      Comentário por Selma | 25/03/2009 | Responder

  11. No dia que eu aprendi a dar mama deitada… ela fez um mês d evida e eu achei que já estava grandinha… menina, sabe oq ue é o efeito da carta de alforria que a princesa Isabel assinou por aqui? Lei áurea e tal? Foi assim que me senti.
    Toda mulher deveria dar primeiro deitada a mama e depois ir passandopara as outras etapas. Ufa! Alice quer mamar? Eu me deito!

    Comentário por Alena Cairo | 29/03/2009 | Responder

    • Alena, você descreveu certinho: carta de alforria! A minha tentativa foi na terceira semana, e me senti uma patsa por não ter tentado antes. Como eu apanhei com os benditos travesseiros…

      Comentário por Selma | 30/03/2009 | Responder


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