Papo de pai: em se falando de excrementos…
De uns meses pra cá, o cocô da Beatriz passou a assumir uma consistência, digamos, mais firme. Saímos da fase “creme de pistache com avelãs” para a versão “croquete”, o que é uma grande evolução.
Ora, limpar é muito mais fácil, a chance de vazar é quase nula, dá pra arremessar na privada e dar um adeus pela descarga…com a mudança da alimentação, era de se esperar que isso acontecesse, e as coisas ficaram muito mais fáceis.
Vira e mexe eu dou banho na Beatriz e, geralmente, na hora do banho, a fralda está invicta, ou melhor, só com xixi. O famigerado cocô só vem em outras horas. Mas, ontem, a coisa foi diferente:
Eu (abrindo a fralda): Vamu tomá banhu, vamu tomá banhu, vamu…opa…
Selma (da cozinha, via babá eletrônica): Que foi?
Eu: Putz, um cocozaaaaço!
Selma: Sério???
Eu: Sério. E…pãããtz…
Selma: O quê??
Eu: Tá todo molegato…
Selma: Jura? Diarréia??
Eu: Não, não. Só tá meio…esparramado…atropelado…ahn, pastoso…
Selma: Xi, ela deve ter feito, sentado em cima e dado aquela rebolada…
Eu: Pois é…meu…
Selma: Mas tá muito ruim?
Eu: Digamos que…deixa eu ver…lembra quando eu falava que parecia um kafta?
Selma: Sei…
Eu: Então, digamos que hoje passou de kafta pra babaganoush…
Selma: Pãããtz…
Os 10 meses da Filhota
Nos primeiros meses da Beatriz, no meio daquele turbilhão físico, emocional e hormonal, eu ficava imaginando como seria minha vida quando ela tivesse 6 meses, ou 10, ou 1 ano. E ficava imaginando o que ela estaria fazendo. Estaria engatinhando? Andando? Falando mamãe, papai, água, Estee Lauder, claustrofobia? Comeria arroz com feijão, sabonete, o pé da mesa? E o meu imaginário me levava longe, muitas vezes criando uma Beatriz do Futuro baseado no que via e lia.
De tudo o que imaginei, uma coisa que eu tinha CERTEZA era que ela seria um ás no engatinhar aos 8 meses. E que aos 10, ela já estaria tentando os primeiros passos e levando com ela tudo o que tivesse ao seu alcance na sala de estar. Pois os 10 meses chegaram, e ela não parece nem um pouco interessada em engatinhar. Digo interessada porque ela domina todas as técnicas indispensáveis para engatinhar: senta com perfeição, se joga para todos os lado para pegar as coisas, de barriga para baixo volta à posição sentada (eu tentei a proeza, e não consegui. Patz, será que foi isso que encalacrou a minha coluna???), se arrasta, mas na hora do vamos ver… ela faz aquela cara do tipo que perda de tempo e continua no lugarzinho em que está.
Aí eu repito o que eu sempre digo: nada acontece por acaso. Já pensou, eu com esse espigão corrido, e a Beatriz brincando de fliperama pela casa? Ai…
Mas hoje, aos 10 meses, ela faz coisas que eu NUNCA imaginei, ou sei imaginei, eu só estava brincando de imaginar…
- Ela come sabonete, e gosta…
- Ela come iogurte, e NÃO gosta… e aí não come mais…
- Ela já entende o que é NÃO, e obedece. Ontem eu até me assustei com a rapidez que ela tirou a revista da boca quando eu disse não. Na caixa de lenços de papel (que ela descobriu ser divertida porque, além das flores na caixa, ela pode enfiar as mãozinhas dentro e puxar váaaaaaaaaaaaaaarios papeizinhos macios) ela nem encosta mais…
- Ela consegue usar um canudo para tomar líquidos. Realizou a proeza no domingo, dia do mesversário. Mais um motivo para concretizar o ritual da queima das mamadeiras…
Feliz Mesversário, Filhota do coração!
Prá não dizer que não falei das flores
Beatriz começou a bater palminhas! O início foi tímido, trazendo as mãozinhas fechadas uma de encontro à outra. E anteontem ela desembestou a bater palmas! Papai e mamãe corujas batendo palmas juntos, e ela toda pirilampa sabendo que estava fazendo sucesso!
Na hora do filminho, aquela esnobada para a câmera. Não saiu uma mísera palminha. Só a mãe fazendo papel de boba na frente da câmera, e o pai atrás.
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Temos mais um morador na boca da Pequena. Mas, ao contrário da maré, o dente que apareceu foi embaixo. Ela agora tem um tridente. Engraçado!
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E a Filhota ganha seu primeiro diplominha! Terminou na semana passada o curso de iniciação musical – o Music Together. Tá certo que o diploma está cheio de konglishes, mas é só botar as lentes culturais e tudo fica certinho no lugar!
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E, na noite passada, ela dormiu das 9 da noite às 6:30 da manhã. Presentão!
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Quem tem amigos nunca morre pagão.
O meu super-obrigado a Marcela e a Fernanda, amigas fisioterapeutas de plantão, pelas dicas preciosas para desencalacrar o meu espigão a minha coluna. Obrigada de verdade, meninas!
E obrigado a todos que ligaram e escreveram, torcendo pela minha recuperação!
Bichos escrotos, saiam dos esgotos
- Fu-fu-fu, galagalagalaga…
- Filha, tá com o nariz entupido?
- DÁ-DÁ-DÁ-DÁ-DÁ-DÁ-DÁ-DÁ!
- Ok, também com esse tempo seco e esse resfriado, tudo fica entalado, né? Venha aqui, deixa mamãe tirar o nharoco, como diz seu papai…
- AAAAAAHHHHHHHHHHHHH! DÁ-DÁ-DÁ-DÁ-DÁ-DÁ-DÁ-DÁ! AAAAAAHHHHHHHHHHHHH!
- Pára, filha. Mamãe tá te ajudando. Só mais um pouquinho. Olha que legal o cotonete! Ete-ete-ete-cotonete! Atenção, concentração! Cotonete tá chegando, tchú-tchú-tchú!
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHH! BUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAÁ!
- Pronto, um já foi.
- BUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAÁ!
- Filha, não precisa chorar. Nem doeu. Olha só o nharoco que a mamãe tirou do seu nariz.
- He he he… He he he…
- Viu só? Agora do outro lado. Badabim-badabam-badabum, saiu!
- BUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAÁ!
- Eeeeeeeeeh, não foi nada. Olha só o outro, que enorme!
- He he he… He he he…
E, em velocidade dobra dez, ela tira o nharoco da minha mão e põe na boca…
Amarelinho
Amarelinho é um finado restaurantezinho por quilo que ficava perto da GM lá em São Caetano, e era uma das opções honestas para fugir do bandejão da empresa. Era também o refúgio da mulherada em dieta. Destas, o prato às vezes não passava de 150 gramas. Era aquele matagal de salada escondendo um filézinho pálido de frango anabolizado.
Me lembrei disso porque há dias me dei conta do quanto a Beatriz come. É uma média de 200 gramas por refeição. Veja bem, eu disse MÉDIA. No café da manhã e no jantar – os momentos-troglô da Beatriz – ela chega a comer 250 gramas de comida. E não é pratinho de dieta, não. É sopa gororobenta, cheia de tudo o que se possa imaginar, bombando de proteínas e carboidratos. E ainda depois rói umas bolachas de arroz, e maçã ou banana.
Infelizmente não temos uma profusão de frutas por aqui. Alguns legumes também não existem, o que acaba provocando um certo marasmo nos cardápios bebezais. E começo a inventar, usando a bebê-gerimum como cobaia. Essas invenções requerem uma novena rezada enquanto se cozinha, porque eu procuro seguir à risca as proibições alimentares antes de um ano: nada de leite de vaca, trigo, alimentos com glúten, sal, açúcar, mel e clara de ovo. Improvisation process mode on.
Na semana passada, fiz muffins de milho e fubá. No domingo, coxinha de frango assada. O pai provou e aprovou os quitutes. Já a bebê-gerimum… Aprovar o gosto ela aprovou, mas qualquer consistência diferente de papa ou mingau provoca as melhores caretas de vômito que a gente já viu!
Como detonar um relógio em 3 etapas…

Etapa 1

Etapa 2

Etapa 3
Halloween em Woodstock
Modelito da Beatriz direto de Woodstock 1969:

Janis quem, mamãe?
9 meses da bebê-gerimum
Beatriz, no auge dos seus 9 meses, continua linda! Mas… estou transformando a minha filha em um monstro alaranjado:
ELA ESTÁ VIRANDO O BEBÊ-GERIMUM!!
Tudo por causa de uma dose cavalar de betacaroteno. O legume que ela mais gosta é a abóbora, e tasquei abobóra na coitadinha por dias e dias sem parar. Aí voltei a introduzir a batata-doce e a cenoura, que ela passou a aceitar. Conclusão: está com as extremidades todas alaranjadas. O nariz é o mais piada, super-cor-de-abóbora!
Legumes betacarotenados à parte, estou a poucos dias de perder o mísero tempo livre que tenho. Após dominar a arte do sentar, Beatriz pratica avidamente os movimentos para sair engatinhando. Ainda tem algo que não a deixa, mas já já ela descobre o pó de pirlimpimpim e sai em disparada! Se isso vai me fazer perder a tigela que se instalou no meu abdomem, 1-2-3-e-já! Vai, filha, vai!


Matrioshka
Beatriz e a Matrioshka:
Poesia paterna
Poesia concreta, estilo Arnaldo Antunes:
“Gatinha, minha gatinha,
A filha da vizinha engatinha,
E você, não engatinha porque,
Hein, gatinha???”
Será que os Titãs estão precisando de um letrista?




