Sentada na Pia

Porque esse poderá ser o último recurso de um pai e uma mãe de primeira viagem na Coreia do Sul…

9 meses de maternidade

Nunca fiquei tanto tempo sem escrever por aqui. Não é falta de assunto, não. É falta de ligações sinápticas. Sim, meu cérebro está ficando lisinho, lisinho. Pô, lisinho poderia ficar esse arbusto mal podado que eu chamo de cabelo. Eu gosto do meu cerebrinho todo enrugadinho, todo elétrico, enviando bobagens de lá prá cá. Mas não, ele resolveu que lisinho dá menos dor de cabeça. Mentira, dá mais.

O fato é que todo dia tenho coisas novas para registrar. E ao longo do dia vou escrevendo o post mentalmente. Aí quando dá aquele minuto sagrado em que eu resolvo escrever, eu sento na frente do laptop e PUFF. Branco total. Às vezes eu me assusto porque nem consigo me lembrar sobre o que eu ia escrever. Eu espano e deixo para lá.

Mas hoje, mesversário de 9 meses da nossa linda filhota, eu resolvi deixar a louça na pia, a roupa por lavar, a casa de pernas para o alto, e aproveitar o soninho da Beatriz para religar alguns neurônios.

*****************************

Por mais que eu queira, não sou e nunca serei a Mulher Maravilha. Talvez uma Linda Carter, com alguns milhares de dólares em plástica, escova definitiva e lente de contato azuis. Então, quando a louça estiver lavada é porque não tem post. Se tem post, a roupa a ser guardada vai ficar para amanhã. E os e-mails, scraps no orkut, facebook, twitter, comentários nos blogs amigos vão demorar alguns anos-luz dias para acontecer.

*****************************

Com dois passos para frente e um para trás, caminhamos na direção das noites bem dormidas. Tivemos 3 noites seguidas com Beatriz dormindo direto, sem a mamada na noite. Iupi! Só me falta agora a aprender a não acordar de madrugada. Oh, céus…

*****************************

A temperatura começou a despencar aqui por essas bandas. Há pouco era impossível sair de casa por causa do calorão. Agora, o ar seco e o vento gelado castigam. Vai chegar a época em que nem no pátio do condomínio a gente vai poder ficar mais que 10 minutos. A Beatriz já está sendo equipada com roupas e botas para neve.

Gosto de morar aqui, mas o clima dessa cidade me cansa…

*****************************

Há alguns meses eu comecei a sentir uma dor chata no ombro direito (já machucado velho-de-guerra na minha época de marombeira), que desceu para o cotovelo (outro espólio da mesma época), e que chegou ao punho. Tendinite que vem me tirando do sério. A tendência é só piorar, já que não posso tomar antiinflamatório por causa da amamentação. Quero ir a um quiroprata, mas levar a Beatriz junto é pedir para a consulta ser um desastre. Levar alguém para tomar conta dela? Sonho meeeeeeeeu, já que ela está no auge da angústia da separação. Seguimos com a dor adiante. E torcer para que a falta de força na minha mão não cause um acidente.

*****************************

E falando em amamentação, tudo continua de vento em popa. Aliás, que vento. Mamadeira? Esquece. Há duas noites eu joguei a toalha, e prometi que nunca mais iria tentar dar uma mamadeira para ela. É stress para mim, para ela, e muito dinheiro jogado no ralo. Ela gosta da fórmula, e adora o mingau que toma com ela. Mas não curte o bico. A última aquisição foi uma Tommee Tippee, uma pequena fortuna em forma de mamadeira, que promete ser a Ferrari das mamadeiras quando se quer fazer a transição do peito para a fórmula. Bem, Beatriz não quer saber de Ferrarris.

Então, leite no copo será. E ponto final.

*****************************

Todo o esforço para a mamadeira não tinha como objetivo o desmame, mas só um pequeno alento para que eu pudesse ter algumas duas horinhas para mim sem se preocupar com o “preciso voltar correndo porque ela precisa mamar”. Ok, seguimos com a toada. Ninguém disse que seria fácil. Logo logo isso melhora.

*****************************

E falando em acidentes, minha mente anda povoada com alguns pensamentos bestas. Moramos em um condomínio que fica no alto de um morro: da avenida principal, é preciso subir duas ladeiras bem íngremes para se chegar em casa. E óbvio, para se chegar à avenida é preciso DESCER as mesmas ladeiras. Pois o pensamento besta acontece quando eu desço com a Beatriz no carrinho: me dá um pânico imaginando que eu vou tropeçar ou escorregar na descida, largando o carrinho. O resto não preciso descrever. Resolvi que só desço a ladeira com ela no carrier, ou com o carrinho amarrado no meu pulso. Neura? Sim, da pior espécie. Mas não consigo controlar, quando estou descendo a coisa aparece na minha frente. Me dá até taquicardia.

Fico imaginando se isso acontece com todas as mães…

*****************************

50 minutos depois, o soninho da Beatriz terminou. E com ele, esse post. No próximo soninho tem mais post. Ou louça lavada. Ou roupa guardada. Ou toalhas trocadas.

29/10/2009 Publicado por Selma | colcha de retalhos | | 11 Comentários